Eleições livres e justas na Guiné Conacri

Eleições livres e justas na Guiné Conacri

13.02.2020

A União Europeia e os parceiros regionais como a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) “devem estar atentos e pedir responsabilidades e esclarecimentos adicionais relativamente à escalada de violência de Estado Guiné Conacri, insistindo junto das autoridades para a importância da realização de eleições legislativas justas e livres”, afirmou Carlos Zorrinho no Parlamento Europeu em Estrasburgo.

O deputado, ao intervir no ponto da ordem de trabalhos relativo à violência contra manifestantes na Guiné Conacri, aludiu aos “ventos antidemocráticos que sopram” no país, onde Alpha Condé, de 81 anos, na presidência há 10 anos, “se prepara para submeter a referendo uma alteração constitucional feita à sua medida, de forma a permitir a candidatura a um terceiro mandato”.

“A intenção de referendar a Constituição, a que juntou a marcação de eleições legislativas para a mesma data, gerou uma onda de protestos no país, tendo as autoridades reagido com prisões arbitrárias e agressões violentas que provocaram centenas de feridos e mais de duas dezenas de mortos”, relatou Carlos Zorrinho, que também referiu o facto da ação dos partidos da oposição e das organizações da sociedade civil ter sido “condicionada” e “agravados os limites à liberdade de expressão e de informação”, com o direito de manifestação “fortemente cerceado pelas forças policiais”.

De acordo com Carlos Zorrinho, que é o Presidente da Delegação do Parlamento Europeu para os países ACP, “a situação exige toda a nossa atenção e vigilância, bem como da comunidade internacional, num momento sensível para o futuro da Guiné-Conacri”, razão pela qual também fez, na sua intervenção, a defesa da “independência e robustez da Comissão Nacional de Eleições”, de modo a que se possa “assegurar a participação dos vários partidos políticos no exercício democrático”.

“A estabilidade na Guiné Conacri, como nos países vizinhos é essencial. Não é aceitável que decisores políticos, levados pelo desejo de perpetuação do poder, agravem as difíceis situações de vida enfrentadas pelas suas populações”, conclui Carlos Zorrinho.